sexta-feira, 26 de abril de 2013


(Des)Ordem Globalitária

A ordem globalitária canta hoje as regras do jogo
em que políticas autoritárias, totalitárias,
fragmentárias  comandam os passos do globo:
a cultura dos povos e as definições principais 
das produções e políticas  de  aberturas comerciais
que favorecem grandes capitais
e também  as  privatizações e precarizações  
do trabalho, que se espalham  por  todo lado, 
em  todas  escalas globais.     

A riqueza,  crescente  e  concentrada,  
se  alimenta  da  pobreza (material, espiritual)
cada vez  mais espraiada.
Os pobres reinventam a sobrevivência como  podem,
aderindo à sociedade do consumo
(que consome o planeta,  os homens, seus rumos...).

Enquanto isso, as cidades se sacodem,
convivências se implodem, 
populações buscam ocupações,       
lutam por humanizados espaços em quaisquer lugares,
geralmente seguindo ou refutando os
  passos e vãos traçados pelos voláteis capitais
que buscam os lucros onde derem mais.

De qualquer modo,  experimenta-se o caminhar
num fio de navalha em tempos difíceis
de muitas lutas e enguiços que se lançam, 
se embalam à imagem e semelhança  
das malhas tecidas
na (des)ordem globalitária...

(Poema extraído do livro "Geografia em 
                   tempos, espaços, pensamentos...)




Ver também "Geografia em músicas" na barra lateral esquerda, acima, no link:
Geomúsicas

                                                        

                    Falas da cidade

             As pedras da cidade falam,                  
             os prédios da cidade falam.                   
             As pontes e fontes, limites e desafios. 
             cada um tem suas mensagens,         
             no silêncio falam sim!

            As bocas da cidade falam,
            os becos da cidade falam.
            As praças e preços, os morros e rios,   
            cada um tem suas mensagens,    
            no silêncio falam sim!           
               
            As frentes da cidade falam,
            as frestas da cidade falam,
            as festas funerais, os muros e quintais,  
            cada um tem suas mensagens,
            no silêncio falam sim!

           Tem que ouvir a cidade,  
           ler suas falas  escondidas nas paisagens, 
           pensamentos e sentidos da cidade.

           (Poema extraído do livro "Geografia em 
                   tempos, espaços, pensamentos...)



           Conversa com a terra


           Quem, hoje, conversa com a terra e

           desenterra os seus sentidos?

           Quem, hoje, a ela dá ouvidos 

              e penetra suas fenestras e faces feridas,

            seus retratos, estratos,

            belezas e brilhos?



            Quem hoje conversa com a terra

            e sente seus pulsares mais candentes,

            seus pensares mais prementes,

            seus plasmares e correntes,

            seus olhares mais doentes,

            seus pomares, dias quentes,

            suas mudanças climáticas 

               e pujanças performáticas,

            e mesmo suas vozes esquecidas, 

              muitas delas pensadas lunáticas

            porque enfáticas de querer vida?

            Vida esta transformada em quimeras,

            em dias em que poucas almas se enlevam,

            ou de muito poucas delas se espera

            sentir as dores e falas

            dos homens, da vida, da terra...



(Poema extraído do livro "Geografia em Poesias: tempos, espaços, pensamentos...)



       Impactos humanos

Impactos humanos,       impactos humanos
sobre as águas, os ares,     florestas e oceanos;
sobre os solos,     as plantas,
os lagos, rios        e animais.
Impactos que           tocam a terra
embotam a natureza,           a vida e seus confins,
que cobram dos homens     a própria  vida
que, exaurida, destruída,    chega ao fim.
                              São tantos   impactos humanos,
                     são largos,     profundos seus
          rastros e  fontes      tornadas infecundas,
            seus traços sem fim    espalhados pelo mundo!...

                  Todo         impacto que
        se crava na terra afeta         os próprios homens,
               seus sabores, cheiros,     odores que embargam
                     e achagam os seus vívidos  sentidos.
        A terra, ferida, se torna     árida, inválida, fétida
e, nessa condição, invalida,     cala, lança à vala,
                   à perdição,      a própria vida.
          Impactos humanos,      impactos humanos.
Impactos dos homens,     seus planos
cônscios, incônscios,      tiranos...

                 O homem retira de si,    e dos outros homens,
seus próprios anos plantando       à terra impactos,
                                  desabonos,         desenganos 
               e incomensuráveis        danos...
   

     (Poema extraído do livro "Geografia em Poesias: tempos, espaços, pensamentos...)




O Lugar

Meu lugar é o meu paraíso se ali tenho o que 
preciso e o que tenho, por simples que seja,
me faça viver, sonhar, sorrir, e pra mim seja
algo de profundo prazer e porvir.

Falo do gosto - na vida -  de ter forças pra lutar,
pra abraçar o rosto do amanhecer, da tarde, do 
anoitecer e de todos os (inumeráveis) 
próximos - amigos,
alguns dos quais até apresento:
minha árvore, meus pássaros, meu riacho,
ou mesmo o singelo banco em que me sento,
onde por vezes até, refletindo, me acho...

É, o meu lugar é onde tenho os melhores laços.
É ele o melhor amigo,
o  nosso mais fausto e prazeroso abrigo,
que pode ser a casa, a rua, a viela,
o boteco, a festa, ou mesmo a favela,
o roçado de trigo,  o cavalo, a vaquinha amarela,
os pássaros,  as galinhas, as ovelhas
e até o pôr do sol, com seu matizado arrebol,
ou ainda a dama-noite, cujas teias de fazer sonhar
encantam os namorados que, sob o frescor da 
inefável brisa,
se dançam, se amam ao luar
sob a bênção das estrelas, estas, guias, 
também fiéis amigas
da estrada, da gente que busca trilhas!

O nosso melhor lugar
é o que dá forças pra gente não parar,
mas, sim, com fé agarrar a lida,
e fazer o que a gente sente no peito,
fazer do nosso jeito, o que gosta
mesmo que não dê conta
de decifrar as luzes
e os incontáveis embustes e embates da vida
ou entender suas esdrúxulas e inesperadas 
propostas, corridas, feridas, saídas...

Agora, pra ter senso de verdade,
a maior desgraça a enfrentar
é ser forçado a do amigo se apartar,
e precisar desfazer de tudo o que veio a ter na 
vida pra alguns vinténs vir a ganhar,
a fim de buscar outro sobreviver.

Desgraça é ter que abandonar
o nosso mais íntimo modo de estar e ser
e, às vezes, sem saber pra onde ir,
(só de falar dá tristeza, nem gosto)
ter que partir pra qualquer outrolocus habitar.

Desgraça é ter que se enveredar em um lugar 
estranho,sem amanho, desconexo, talvez medonho
porque não é onde o sonho da gente quer morar,
simplesmente porque ali não é o nosso lugar...

       (Poema extraído do livro "Geografia em Poesias:                                                       tempos, espaços, pensamentos...)

Desvendar é preciso

 Toda história  é convite pra navegar
em águas profundas, em vagas fecundas, 
    em faces desnudas, em chaves do mundo 
que contam seus vultos, que somam seus  fluxos, 
seus  luxos, lutos, insultos. 

Ela guarda  as verdades mais secretas, discretas  
que encantam  as mentes mais inquietas  
por desvendar  toda a terra, 
desvelando os permeios 
das (des) humanas guerras   
que (re) fundam a  própria  história.   

Ela permite  espreitar, 
dos homens, os corações,      
suas  razões, seus caminhos e comunhões,   
encruzilhadas e  divisões, 
           seus atalhos e encalhes ou pontos
(de)fendidos em seus sentidos 
mais  escondidos. 

Navegar é preciso pelo mar do desvendar.  
Desvendar  o homem,  a terra, 
seus sentidos e luzes enterrados
   nos escombros da  história
que está sempre  a ser
reconstruída,
redescoberta,
reinventada,
reesculpida.

               (Poema extraído do livro "Geografia em Poesias:                           tempos, espaços, pensamentos...)


Poesia ativa: o pão da educação!


A geografia  é  ativa  e  apraz  

quando  se   faz    viva    poesia, 

provocativa  no indagar o pensar, 

olhar, agir  

sobre o mundo e derredor, 

buscando  um sentido maior 

que  abre a mente,e faz ver fundo:   

o que mente, o formal e o indecente... 



A reflexão que se quer agregar 

fala da  geografia que desoculta 

( aos olhos) 

tempos, espaços, territórios 

e paisagens abruptas, perdidas,  

roubadas,regradas,  iludidas... 

Quer  falar do  profícuo  

e  profundo galgar da  ávida filosofia 

que abre as cortinas da vida 

em seu  complexo deslizar... 



Nossa  reflexão quer ser semente 

que planta outros dias  

em que as gentes terão o pão 

num mundo de mais valia:  

não a mais-valia que rouba sonhos,  

alegrias e produções, 

mas a mais valia da vida 

regada e saciada 

com o pão sagrado da educação.  



Geografia  em poesias 

quer  plantar reflexão 

pra repensar as correntes  

míopes ou cegas.    

E se encarrega de cultivos 

bem  fecundos

pra fazer  (re)ver os mundos

pelo crivo profundo  de outras lentes.



Quer plantar   conhecimentos

de  olhares  contundentes

capazes de tecer, de repente, 

outras  vigas, outras bases

de vidas decentes  pras gentes.    


  (Poema extraído do livro "Geografia em poesias:
             tempos, espaços, pensamentos...)